Às/as pessoas sem brio

dezembro 15, 2010

Brio é aquela coisa que cintila, reluzente, que bria.

Não, não é. Digo brio de garbo e elegância, que soa tão século 18. Pouca gente bria. E algumas que briam, briam só de vez em quando.

O oposto de brio é um rapaz que reafirma a inexistência do divino e de que deus colocaria pessoas brilhantes por meu caminho. Beleza não é tudo, mas Dennis invoca socorro. É, digamos, a antítese de Dorian Gray. Ou, somente, um gordinho lazarento. Mas nem por isso ele perderia o brio.  Tipo o Zack Galafanakis (vide video) que foi melhorando  na proporção em que acumulou banha. Mas essa merda percorre bueiros mais profundos.

Não fosse só o sotaque nordestino – ressalva: irritação com o sotaque do moço apenas, até porque não tenho nada contra nordestinos e quem vota na Dilma -, ainda detém senso de humor pertubador e não perturbado. Perturbado é legal. A vestimenta Carrefour erra em dois tamanhos a menos da sua medida real, vou chutar 56. Dennis não curte lavar roupas, mas curte lasanha de anteontem e disenteria.

Não pode ser assim. Não há defesa para maluco que cutuca espinha e sai uma meleca que fica escorrendo na cara e enfim…Então este post vai em não-homenagem ao Dennis, ao desgosto e a decadência. Uuhhaargh (tremendo de asco)


GG e a Nova Zelândia que o criou

outubro 18, 2010

Como as coisas são do outro lado do mundo…

Eles dizem estarem entediados, se sentem reclusos em uma ilha isolada, distantes das coisas que admiram. É como se a diversão acabasse mais cedo em um país do tamanho do estado de São Paulo, mas com quatro milhões de habitantes.

Na Nova Zelândia a vida segue em ritmo diferente. É o novíssimo país, colônia britânica, grande receptora de imigração asiática e resguardo da cultura maori. Imerge-se essa combinação e emerge-se algo peculiar. É assim que Grayson Gilmour gosta de explicar sua procedência e diz “isolamento instiga criatividade”.

GG se identifica como músico self managed, self promoted e self sold, uma atividade que – lhes conto – funciona bem melhor por lá. Gilmour lançou seu primeiro álbum aos 16 anos, cresceu trabalhando na sua loja de discos favorita, leciona música na Victoria University, produz trilhas de filme e é o garoto-prodígio da Nova Zelândia, o apple of their eyes.

Teve um passado punk/hardcore, que levou para seu projeto paralelo So So Modern. Mas em seu quinto álbum solo No Constellation, lançado no primeiro semestre deste ano, ele mostra arranjos melódicos com letras intimistas, seus xilofones e pianos vão do calmo e doce ao extravagante e enérgico. Além disso, há um quê do eletrônico avant-guarde que os nipônicos tanto gostam ou, às vezes, é só tendenciosidade minha.

Como o próprio país, a cena musical passa por um processo de maturação. Nada ainda é propriamente neozelandês, tudo ainda parece ter muito estrangeirismo. Mas é uma adolescência interessante de se acompanhar. Em entrevista, GG fala sobre o isolamento geográfico, as peculiaridades do país e o fazer música na NZ.

Como é fazer música na NZ?

O que eu mais gosto daqui é a diversidade e o isolamento. A mídia ‘mainstream’ está presente, mas não é acompanhada tão de perto como em outros países e as pessoas preferem ter maior liberdade para produzir e para ouvir música. E por causa disso, você acaba tendo mais contato com gêneros além dos que você curte. E é um país relativamente barato de se viver e o governo incentiva a cultura.

E em um país com quatro milhões de habitantes, fica mais fácil ser famoso, né?

Fato! Por ser um país tão pequeno e com suas principais cidades também pequenas, se comparadas a metrópoles de outros paises, tudo – bandas, shows, gêneros e a mídia – ganha destaque aqui dentro. A vantagem é que, a principio, fica mais fácil promover-se como banda. Por outro lado, a NZ não consegue amparar e sustentar um artista como em outros lugares, já que aqui se faz uma turnê nacional passando pelas quatro principais cidades e só, enquanto que na Europa, por exemplo, uma turnê pode durar vários meses.

A sua atual gravadora Flying Nun teve um papel importante na década de 80, lançando bandas e abrindo um novo nicho. Depois, ela foi comprada pela Warner Music, e Roger Shepherd, o então fundador da gravadora, se desvinculou por divergência ideológica. Em 2009, Shepherd em acordo com a Warner, volta ao comando da gravadora. Como isso afeta a cena musical na NZ?

Muito da cena independente se deve ao Flying Nun e a volta “às raizes” da gravadora é importante por duas razões. Primeiro, os artistas originalmente lançados pela gravadora terão seus trabalhos novamente disponíveis ao público, que estavam banidos por conta da Warner. Segundo, a gravadora está trabalhando com novas bandas – incluindo GG – que estão fora do mainstream e construíram sua reputação de maneira independente. Eu acredito que a Flying Nun volta a apoiar uma forma diferente de pensar.

Como é tocar fora da NZ. Como o público recebe bandas neozelandesas?

As pessoas têm concepções bizarras da NZ. Imaginam um país subdesenvolvido e tropical, como Fiji e Samoa que ficam aqui próximos. Mas na primeira vez que toquei na Espanha, com a minha outra banda So So Modern, as pessoas cantavam junto as nossas letras. Eu não podia acreditar, mas acho que esse é o milagre da internet.

Em Wellington –capital da NZ e onde mora GG –, todo mundo canta suas músicas nos shows e todo mundo é muito próximo. Mais do que artista e público, parece que todos se conhecem desde o colégio. Como é trabalhar nesse clima?

Sim, e o nosso público é bem universitário. Assim como muitas bandas e festivais são iniciativas vindas de estudantes. É ótimo trabalhar assim. O clipe de “Loose Change” tem como cenário as ruas de Wellington, aliás, do bairro onde moro. O diretor Jesse T. Smith e eu estudávamos na mesma universidade, e nós temos uma sintonia bacana. Eu termino o álbum, entrego para ele e um mês depois ele me aparece com o videoclipe pronto, ele pega a essência das musicas perfeitamente.

No seu último álbum, a faixa “Gem Apple John” fala sobre um personagem que tenta expressar suas idéias, que gosta de Barthes, e termina se frustrando por não ser ouvido. Mas do que se trata o nome da música?

O nome da música é uma má pronunciação de “Je m’appelle John”, que um amigo meu soltou durante uma aula de francês. Passei um tempo fazendo turnê na França e eu amo o país, mas meu francês é sofrível e numa forma de empatia a este John, criei o personagem em torno dele e das minhas ideologias. Eu li sobre Situacionismo e Sociologia Francesa, e quis que esse personagem falasse desses ideais. Mas em um país como a NZ, que atualmente está longe de ser engajada, essa tentativa de se expressar é em vão. E tudo isso meio que diz algo sobre viver no fim do mundo, literalmente.

Quem são seus favoritos e o que você tem escutado?

Sempre difícil de dizer. Eu escuto coisas desde 80s hardcore, como Minor Threat até minimalista eletrônico como Nobukazu Takemura. Acho que tento encontrar algo que me agrada em todos os gêneros musicais, mas o que mais tenho escutado são bandas como The Books, Cornelius, Tortoise, e artistas da Anticon Records como Why?, Dosh e Prefuse 73.

http://www.graysongilmour.com

http://www.myspace.com/graysongilmour

http://www.myspace.com/sosomodern

http://www.flyingnun.co.nz/

 

** e parei de falar sobre a NZ. ou não, porque  faço que eu quiser.


O pop ruminator

outubro 13, 2010

Mark Ronson é um éclair de café do Hachimitsu e um talento desfragmentado. Quis ser Donny Hathaway, depois tentou ser um rapper branco, curte um 60’s, uns sintetizadores e tal.  E é no agregation que ele atua. Além de produzir gente famosa, vive de parcerias e remixes e está rico em Nova Iorque.

Fora ser muito do esperto  e gostoso com a aquela banca de shag and flag, seus clipes são pop delícia. 1. Porque ele faz questão em aparecer neles/ 2. Porque condiz.

Em “Circuit Breaker”, do álbum Record Collection, o clipe faz ode ao vídeo-game Legend of Zelda. Dandy com um álbum que soa parecido. Daí em “Bang Bang” faz referências japas e propaganda para Lacoste e Nutella, de um jeito totalmente simpático. Mas assiste esse cover do Radiohead primeiro.


hihihihihihihipister

outubro 13, 2010

O Centro Comercial – o dos prédios multicoloridos e, sob eles, os estabelecimentos comerciais – é muito hipster. Naquele Centro com aqueles corredores – que são verdadeiros túneis do tempo e homenagem ao brega ou, diriam alguns, ao vintage –  existe o Bar Estoril, since 1961

Entre barbearias, brechós, cartório e  lojas de presentes e souvenirs – que incluem havaianas com miçanga, bijoux de pedras brasileiras e pano de secar louça com pintura à mão (que são, aliás, uma ótima representação de Londrina) – tem esse bar.

Eu gostei dele. Primeiro, porque é vazio. Segundo, porque tem um letreiro matreiro.  “Estoril – Lanches, Confeitaria, Leiteria e Sorvetes finos”, que são fachada – apesar de que eu adoraria tomar leite E um gelatto ali- para o vigente “Drink Bar”. Eu digitaria ‘risos’, se eu fosse mongolóide.

Isso é a coisa mais da hora que achei – apesar de não procurar – em Londrina nos últimos tempos. Sem mais. Não, uma mais. E por que eu nunca reparei nele antes? Acho que porque, nesta cidade, eu vivo em negação – o primeiro estágio no processo do luto.


aiaiaiaiaiaiaiaiaiai

setembro 16, 2010

Sentimentalismo é torpe e inadequado. Em específico com música, daqueles de ter uma lembrança muito bela e se ressentir profuso ao ouvir la melodia.     Dai dizem “mas isso é bom, quer dizer que você tem sentimentos”. E eu digo “suma da minha frente”.

Não há problema nenhum em se sensibilizar com uma música. Claro que não. O que é diferente de ser sentimentalóide. Tem que saber ter classe. Como fazer um choramingo desse – “see, the luck I’ve had can make a good man turn bad. so please please please let me, let me let me get what I want this time” – soar ótimo.

E  Harvest Moon de Neil Young. Uma letra ingênua e até insossa, uma baladinha que beira ao corny, mas ao mesmo tempo sabe o que está fazendo. Mellow country e catchy. Feita para mexer com o seu coração.

Ser cafona é feio. E ninguém gosta de ser feio. Mas é meio que inevitável de vez em quando.


as vantagens de um busto #40

setembro 4, 2010

Ao pesquisar sutias #40 para comprar online, encontrei Luciana no Answers Yahoo que questiona:

“Acabei de fazer 14 anos. O meu número de sutiã é 40, tenho chanches de chegar a 46??

Usuaria Flor responde:  “Não esquenta, depois dos 40, a maioria dos sutiãs são 46. o meu é 44 e estou muuuito satisfeita”.

Ininteligível e nao ajudou em nada, idiota. A resposta eh provavelmente nao, mas seguem umas dicas:

– Nao precisa ter peitos grandes para conquistar o gatinho do colegio, mas ter a lingua presa com certeza nao te favorece (‘chanches’).

– em promocao de sutia, sempre sobra #40, e cada vez mais com a moda do silicone.

-serve como um trauma de adolescencia que engrandecera o carater em vida adulta

– exames do toque sao mais rapidos

– propicia abraços com anões menos embaraçosos

– peitos siliconados nao aumenta a beleza,  so os peitos. se voce eh feia ha de continuar feia. se for gorda, pior ainda.

– se tiver cancer de mama, a vantagem de um pos-operatorio menos traumatico.

– mesmo que sem a mesma firmeza dos 20 e pouco anos, nunca havera problema de peitos caidos.


O aniversario do Luiz Horta

setembro 1, 2010

Sabe quando pedem: “vizinha que vende salgadinho pra fora, me vê um cento de quibe e outro de risolis”? Hoje fizeram isso comigo. Daniro encomendou porque hoje completam-se x anos desde o nascimento de Luiz Horta.  Então eu vou falar um monte de bosta e depois desejar bons fluidos:

Aniversários são um tanto quanto traiçoeiros. Pega mal esquecer de dar os parabéns. E eu esqueço com frequencia, porque bem.. eu sou uma vaca. E quando chega o seu, voce quer se sentir muito amado e requisitado. Dizem que dah para medir camaradagem naqueles que te apoiam em momentos de crise ou difamação. Mas aniversario eh algo mais sutil, portanto mais fácil de passar em branco.

(Adendo: mensagens do tipo “Feliz niver, tdb!” e derivados, alem de irritantes, sao um puro desencargo de consciencia do remetente. E ainda, acho bem enfadonho desejar “saude, su-ce-sso, dinheiro e amor”, tambem muito usual durante o Reveillon, que eh tambem uma palavra extremamente brega.)

Por isso, sr. Horta, eis aqui desejos de um dia genuinamente feliz. Que todos que lhe sao caros, mandem ao menos um “alo” sincero. Que voce se sinta morninho no coração. O dia do aniversario so serve para isso. Depois tem o resto do ano para perceber que nao estamos rejuvenescendo.

E se o dia nao for la grandes coisas, ao menos, aceite este teppozushi

luiz horta, aceite este teppozushi

(que foi a minha janta e o motivo do post estar com leves 50 min de atraso).


Tales of Nicotine

agosto 10, 2010

We’re smoke free! tale – Vou contar uma história. Uma moça chegou na gringa e via por toda parte – inclusive em lugares públicos e abertos – os dizeres “Smoke free”. Com esse jeito de embalagem de absorvente que dá sensação de leveza e liberdade.

E ela entendeu que cigarros e afins estavam liberados, fumou e quase levou multa internacional. Ela é imbecil, mas não a julgue. Talvez ela quis, por um momento, viver numa realidade em que fumantes ironizam a má interpretação (própria).

Door free tale – Mas o não-fumante ao lado não é obrigado a respirar fumaça, correto? Correto. Eu entendo a irritação dos anti-tabagistas. É a mesma que eu sinto para com eles.

Inalar fumaça causa ojeriza a alguns cidadãos. Coisa anti-natural, diriam. Inconcebível aos puritanos no assunto. Que diga o Sr. Yokoyama, aquele que curte desparafusar o que não deve (e, na minha opinião, isso sim é anti-natural).

Smoke friendly tale – Há também não-fumantes descontentes com a nova lei anti-fumo: “Não poder fumar em bar é errado. Quando eu vou pro bar eu quero ficar fedendo fumaça. Perde toda a graça voltar pra casa sem cheiro de cigarro” – palavras de um amigo de um amigo. Pense nisso.

Ponytale – Minha prima de 12 anos perguntou “Por que você fuma? Você sabe que mata?”. Eu ignorei a segunda pergunta e respondi “Fumo porque é bom, mas nunca faça isso”. Não foi intencional, mas depois me dei conta que essa resposta foi o mesmo que dizer “na próxima que alguém te oferecer, dá uma experimentada”. Mas era inviável ser bom exemplo sem ser hipócrita neste caso.

E é bom, fazer o que. Bom justamente porque vicia. Não há nenhuma outra vantagem no cigarro além do fato de proporcionar prazer. Aquelas de que cigarro sociabiliza, dá elegância ao portador, não me comovem.  E para não morrer por conta dos diversos males deste vicio é simples: só morrer de outra coisa. =D


自分自身を性交に行く。ブリンクス (google translate it)

agosto 4, 2010

Para aprender a lingua japonesa, ha de se passar por alguns processos de aceitacao.

1. Voce nunca sera totalmente letrado na lingua. Visto que se tem cinco sistemas de escritas diferentes. Nao vou explicar todas. Os Kanjis, uma delas, compreendem em mais de 1900 ideogramas – simbolizando, nao uma letra ou vogal, mas palavras e significados inteiros – passiveis de serem combinados entre si, gerando novas palavras, das quais voce simplesmente tem que decorar.

2. Se voce nasceu dentro do esquema romano da lingua, se fudeu. A estrutura gramatical eh no minimo inversa, mas nem sempre, so pra confundir sua cabeca.

3. Eles incorporaram palavras inglesas que nao tem razao de ser. Eles chamarem batata frita de ‘furaito-poteto’ (que eh o maximo onde o aparelho fonador deles consegue chegar para dizer ‘fried potatoes’), tudo bem. Eles incorporam a palavra de fora assim como incorporaram a propria coisa que veio de fora. Todo mundo faz isso.
Mas e ‘kissu’ (para dizer kiss)? To presumindo que americanos ensinaram japoneses a beijar. Japon era BV.

Mas dai voce pode dizer, essas palavras estao tao deformadas que ja virou algo japones. Mas nao! Pra eles, isso eh falar em ingles. E me irrita. Entendo que isso faz parte de um processo historico e politico que eles passaram, mas nao deixa de ser idiota.
Me irrita mais do que falar “Vamo pra night. Curtir uma drum n’ bass. Leva sua cam”

4. Se falar um japones coerente eh falar desse jeito:
Eu nunca vou falar em japones. Coerente.
Superados esses itens, tem os pros. Lingua japonesa eh meio deslumbrante, mais que outras asiaticas. Mais que chines inclusive, mesmo que os kanjis advenham desta. Porque chines eh mais truncado, soa estranho e cheira mal. Digo que eles sao porcos, ta ligado. (e eu nem tenho ressentimento de guerra, pq eu nem nasci no Japao).

No japones, eles tem comedimento. A forma de se expressar tem muitas vezes um que de conotativo, que outsider algum pega de primeira ou de segunda. E nao eh tipo uma expressao “this ship has sailed”, que desavisados nao entendem, mas eh facil de aprender. Eh algo que se agrega aos poucos, eh uma flor roxa que cresce no coracao do trouxa.

Pra mim, os termos ‘gambare‘ e ‘daijoubu’ sintetizam uma persona nihon e não tem tradução ideal – voce entende, mas nao entende tudo. Assim como ‘saudade’ fica com tradução falha em qualquer outra língua. ‘Saudade’ é bossa-nova. ‘Gambare’ é meio samurai, nao sei explicar.

Kanjis sao desenhos, se for explicar grosseiramente, que representam o que significam. Nunca voce diria de cara que isso: 女 significa “menina, ser feminino”. Os tracos cruzados sao pernas cruzadas. Perceba a sutiliza. Suave! Eles diriam namerakana desu. “Menino” se escreve assim: 少 Sinta-se num divã, num teste de rorscharch.

Mas nos tempos de hoje, japones talvez seja muito oneroso. Idioma japones no curriculo, causa menos impacto que curso intensivo de roteiro para filmes. Entao da preguica de aprender just for the sake of it. Mas eu vou, ce vai verr.


Sobre o porquê de não dar um passeio em Londrina

agosto 1, 2010

Se Londrina fosse uma pessoa eu fingiria um cumprimento de mão e dava um oolé. Tipo, brinks! E Londrina acharia graça. Se Londrina fosse uma pessoa ela usaria Nike Shox. Desconheço qualé de outras cidades, mas mola no tênis entrou no coração londrinense. Aquele design bonito. Que orna com calça de ginástica, jeans ou camisa polo da TNG. Nenhuma tendência perdura há tanto no planeta. E por quê? Não sei. Gente imbecil tem razão de ser?

Sábado à noite na Higienópolis é basicamente onde os crentes – que, em vida, pecaram -vão morar após a morte. Favelas Brasil afora têm mais charme que aquele carnaval de horrores.

Lugar faz toda a diferença. Guerras foram perdidas por conta de pobre escolha logística. E Londrama nunca me pareceu tão errada. Eu não sou nenhum Marcão Careca, mas eu vou aos lugares e não reconheço quase ninguém e nem faço questã. E esse virou o mote aqui dos colegas da mesma faixa etária.

saiu assim no jornal "bar reformado propõe alimentar batalhão de exército em suas 174 mesas de madeira chic"

A decoração de uns novos estabelecimentos londrinenses tem um belo desprendimento ao bom senso. Até parece de propósito, mas eu sei que não é. Pensa que sabe o que faz, mas não sabe.

Por isso, os lugares mais divertidos são os que não tem público. Como ser japonês kakura, entrar numa bolha com os amigos descendentes e fazer sukiyaki em casa. Como uma república que eu conheço, de não-estudantes e não-trabalhadores com freezer open-bar. Ou beber whisky as margens do Lago Igapó de madrugada com direito a penetra que é sinal de sucesso. Sim, eu sou deprimente.

eu não queria, mas acho que eu conheço aquele japonês

eu não queria, mas acho que conheço aquele japonês

E por fim, não é que eu odeie esta cidade. Apenas não consigo mais andar nas ruas sem sentir vontade de me matar no rio Sena. Brinks. A parte do suicídio é ironia – ainda -, mas a primeira afirmativa não. Isso é uma boa cidade afinal. Só estou meio indisposta para justificar agora, porque estou de mau humor. Londrina me diz “Você não mais me pertence”. E eu digo “Vou morar na NY brasileira então”.