Posts Tagged ‘helio flanders’

Domingo: vagando da Ipiranga para a Praça da República

maio 1, 2008

Impressões simpáticas dos shows de Overcoming Trio e do Cachorro Grande, em que o memorável foram as frases da galera


Shows memoráveis à parte, a Virada Cultural foi um tanto caótica. Às vezes era preciso se conformar com um espaço de 30 cm cúbicos na multidão e visibilidade zero do palco. Então depois de uma madrugada insone, jogados ao léu, resolver, de última hora, assistir uma apresentação ou outra parecia menos exaustivo do que programar um roteiro dos shows preferidos. Eu, particularmente, estava num clima “tanto faz” ou como dizem os descolados, “whatever” (uma palavra inglesa).

Eis que, às 11 horas da manhã, a banda Overcoming Trio começa sua apresentação na Avenida Ipiranga sob a sombra do Copan, no Palco das Meninas. A banda é composta por dois moços e uma menininha: Mallu Magalhães, a nova sensação do Myspace; Hélio Flanders, vocalista do Vanguart; e Zé Mazzei, baixista do Forgotten Boys.

Em matéria do site G1, o menino Flanders, rindo (e na minha imaginação, rindo em tom afeminado e meigo) do nome do local, explica: “Na real rolou um engano da programação, que divulgou só como show da Mallu”. Sei.

Com um espírito de banda iniciante e com poucas músicas de autoria própria, o Overcoming assumiu uma linha cover tocando vários clássicos folk. Entre eles, a legendária “House of The Rising Sun” e “Simple Twist of Fate”, do Bob Dylan, grande ídolo de Magalhães. À pedido dos fãs, Mallu tocou “Tchubaruba”, essa sim, música de sua autoria.

E em meio aos fãs cativados pela cantora, se ouvia sábias frases como: “Ela é a salvação da música brasileira” ou “a Mallu desafina de propósito para cantar de um jeito autêntico”. Já Hélio Flanders afirma: “Somos uma banda folk, apesar de folk estar na moda. Mas eu nos defino como o anti-folk. Ah não! Esse conceito já existe, então somos contra-folk”. É… enfim… vai um comentário tímido: a apresentação de Mallu na Virada foi meiga como a risadinha do menino Flanders. É uma garota de 15 anos com bom gosto e habilidade musical. E ouvir um folk fofo, num domingo de manhã, não me foi nada mal.
Maggie’s Farm”, também de Dylan, foi a última música que Mallu cantarolou. Daí, como uma estrelinha folk, saiu de sopetão do palco. Assim como o público, pro próximo show.

 

Alguns minutos depois do meio-dia, em que fome e dor na perna são refresco, ao passar pela Praça da República, o refrão: “Você não sabe que perdeu, você não viu o que aconteceu”.

 Lá dentro da praça, entre “Que Loucura!” e “Dia Perfeito”, Beto Bruno, vocalista do Cachorro Grande, solta essa: “Cara, só em São Paulo pra ter um show de rock em pleno meio-dia!” e a galera ensandecida com as mãos pro alto e os dois dedos do meio flexionados responde com um “UHUL! Rock’n’ roll!”
A banda, que trouxe o rock gaúcho de volta para o circuito nacional, fez um show, digamos, genericamente empolgante com seus hits, os gritos e a dancinha escalafobética do Bet Bruno. O público “rock’n’roll, uhul” abrangia um misto de meros observadores de passagem e fãs fervorosos, porém ridiculamente fervorosos. E no “Sinceramente”, fui ver se havia algo melhor pra fazer em outro lugar. Diz a Bruna que no final tocaram um cover de The Who. Ok.

(feito pro jornal online do curso de jornalismo de cu é rola[desculpa])

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.