“tomie ohtake convida para um chá com yoko ono.
quando recebi este convite, achei meio surreal, mas fui lá para conferir. (blá, blá, blá) lá estavam: tomie ohtake e yoko ono entre outros. falávamos em inglês, japonês e português. todos estavam despreendidos de seus papéis, exceto yoko. num ambiente novo, onde ela era o centro das atenções, compreensivelmente prevaleceu o personagem – yoko ono. após duas horas, yoko se despediu para cumprir sua agenda.
o vento que antes soprava, e que movimentava a copa das árvores e um catavento do jardim, cedia seu espaço para uma chuva fina. no ateliê de tomie continuamos o nosso chá e conversamos sobre nossas artes.
muito interessada e de forma cerimoniosa, tomie me pediu para falar para o grupo sobre moda. todos ouviram atentamente e ao final nos despedimos. fui o último a cumprimentá-la. carinhosamente ela tomou minhas mãos por um longo tempo e pronunciou em meu ouvido palavras que há muito não ouvia e me lembraram minha avó: gambárê – em português: dê o melhor de si. (blá, blá, blá) ” – Jum Nakao, o da costura invisível
