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Some brief and wishful impressions of Flat White

abril 12, 2010

Vamos falar sobre o café na Zerandia. O pop aqui eh o achatado branco ou o Flat White, especialidade – e invenção (óólha só) – neozelandesa quando se fala em latte art. Este consiste em um ou dois shots de espresso com leite vaporizado – eles dizem ‘not too frothy, not too milky‘, algo como um leite texturizado sem ser espumoso – servido em tulip cup.

E espresso aqui significa short black, o ‘curto’ dai. Ja o long black, que numa translacao obvia seria o espresso normal, eh um verdadeiro lixo. Eh uma versao menor do americano. Isso significa que voce nunca vai tomar um espresso como os do Brasil – ou de lugares que esta modesta pessoa que vos escreve ainda nao esteve – na Nova Zelandia. E aqui, eles tomam short black, long black e americano, mas quem comanda eh o flat white.

 Os cafes – como lugar, sem acento mesmo – fazem parte da cultura de Wellington. Eh lindo. Nos brunchs de domingo e esse povo sofisticado indo tomar café com eggs benedict, pancakes, french toast…holy fuck! Ou sentando para ler um livro ou pra bater um papo com esse sotaque britanico caipira. E tem os cafes que oferecem area para fumantes com varandas que chegam perto do que ha de ser o paraiso. So neat.

No entanto, eles curtem com um leitinho. Coisa que era irritante de se ver, café com leite me irrita. Remetia a minha irma tomando cappuccino no Armazem. E cappuccino eh para aqueles que nao querem sentir gosto de cafe. Do tipo “ai muito forte, ai muito amargo” e esses podem ir a merda – com excecao da minha irma, claro.   

Mas o achatado branco eh digno. E so dah muito certo porque o leite produzido aqui eh de fato leite e nao um soro esquisito como no Brasil. E porque flat white nao eh latte, que tem menos café, mais leite e mais espuma. Ou seja, foda-se latte.  

E sabe aquela coisa de sempre querer estar em outro lugar que nao este. Quando eu finalmente matar a saudade do espresso do Armazem, naquela bancada fumando um maco de Carlton por r$4,00, vai bater uma vontade de tomar um flat white, na Cuba St., com meus cigarros importados da Tailandia, clima ameno de 12, 15 graus Celsius com esses mocinhos tao descolados e tao metrossexuais que so aqui, so em Welly.

nz, i love you but ur bringing me down

fevereiro 27, 2010

Eu sempre fui amarga, mas amargo é bom. Café e cigarro sao amargos e eles colorem minha vida. Mas ultimamente eu azedei, tipo leite podre. E no apice do meu mau humor, eu vou escrever este texto. (e nao me enche o saco sobre falta de acentos pq eu to escrevendo num laptop gringo)

Wellington, a capital neozelandesa onde eu passei meus ultimos 10 meses, eh sobre ela que eu vou discorrer sobre neste texto-mau humor.

Isso aqui eh do tamanho de Londrina. E tem mais asiaticos que a nossa Pequena Londres, so que uma escoria diferente, a escoria sino-geek com o pior senso fashion do planeta. (postarei fotos futuramente)

Por outro lado, o universo da panelinha jovem universitaria eh o paraiso dos aspirantes a hipster. Na regiao central da cidade, que nao inclui mais do que uns 15,17 quarteroes, existe uma rua chamada Cuba St. E dai voce ja pensa “Vish”. Mas acontece que a Cuba eh foda pra caralho. De dia, cheira a kebab e flat white e, de noite, a promessa de ficar bebado pagando 7 dolores numa gafarra de cerveja. Os lugares decentes pra ouvir uma banda e pra conhecer os hipster que voce nao sabe se eh gay ou nao estao na Cuba. Neko Case, Yo La Tengo, Jarvis Cocker e Bob Dylan tocaram na Cuba.

Ninguem aqui eh neozelandes, essa raca nao existe. Se eh sempre descendente (nissei, sanssei no maximo) de alguma coisa. A pior, eu diria que eh a irlandesa.

O primeiro ministro eh uma versao sem graca de Berlusconi. Eh mais humilde, eh seguido por uma equipe modesta de 3 segurancas de porte medio, atende a palestras maoris no suburbio e recusa com educacao o Sauvignon Blanc de quinta que eu ofereci.

A vida aqui eh facil. Se voce tem um emprego part-time voce paga aluguel e ainda eh feliz no fim de semana. Se voce eh considerado “necessitado” pelo governo, recebe mesada. E eu conheco uns 3 filho da puta que vivem de mesada declarando estarem em estado de depressao. Eles nao fazem ideia do que eh um congestionamento de 2 horas ao lado do Tiete. A pior dor de cabeca que a policia tem eh de bebado na rua fazendo barraco. O pior escandalo de assassinato aconteceu ha dez anos atras e ainda se fala nisso.

E gringo que ja eh topeira sobre assuntos que transpassam seu territorio, aqui, a coisa eh ainda mais feia. Talvez pelo isolamento geografico, talvez por serem descendentes de britanicos. Sim, burros e mimados. Eu fico imaginando largar um indie magrelo com jeito de viado que fala coreano e que gosta de musica japonesa na favela do Rio de Janeiro. Levava uma voadora na cabeca antes de terminar a frase: “I don’t know what I want”.

E eu encerro por aqui.

E ao anonimo que posta comentarios com virus nos posts deste blog lindo, um recado: vai tomar no seu cu largo.

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