julho 28, 2010

- Filhinha, demorou pra nascer esse seu siso, hein?
- aham mae, eh porque eu sou late bloomer.
- Isso eh uma expressao inglesa? Que significa?
- Vadia, mae. significa vadia.


An open letter to Windy City

maio 17, 2010

The beauty of the moment is the beauty slightly lost…

If we were to measure the time it takes till you learn how to appreciate whatever it is: a person, a feeling, a place to be called home, a song. I would say a year wouldn’t be enough and yet way pass overdue. And you can’t let yourself be stuck in the middle.

In a specific period of time with a determined number of people in a medium sized city called Welly some fabulous shit happened. So here’s to you. You’re not perfect and not incorrigible defected. You fit me well, though. Neat paths, colorful food and humorous signs as a scenery might have built that damn good taste and style in you. Or maybe the other way around.

The wind blows crazy enough to make it hard to breath and turn a cloudy day to sunny before you realize. I heard them say nothing beats Welly in a good day. I say you took my boredom away through your upbeat air. As boredom being a subject I master, in fact, mostly, is what makes me go and do things. It was what brought me to you.

You see, we were not a fling, a holiday or an overseas experience to be done when young. Somehow you triggered me and messed me up. So, I fell in love unwary. I know we won’t get married or anything, I won’t call you home, but I’ll name my children after you(*).

Don’t get offended by the ones who don’t love you. Those who find ugly meanings in beautiful things are corrupt without being charming. For these, there’s no hope. It was with no particular reason to come to you and leave you with no resolution what so ever. Wilde reckons the only excuse for making a pointless thing is that one admires it intensely. And now, so do I.

To get old means to earn, to lose, then hopefully earn something new. To realize time had run out and that it will keep running out till you don’t have any time at all. Ghost figures of past, present and future hunting the heart. Welly has gone never to return, so this is my proper good-bye. From me, to you.

(*) Figurativamente. Not after Wellington, obvio, porque eu nao quero fada-los a nomenclaturas da pobreza. E forgive meu inglês wannabe


maio 14, 2010

“Mobile phones are the new smoking. The radiation affects the addictive part of the brain. If you smoke and use a mobile phone then you’re really hard”

Gruff Rhys


Some brief and wishful impressions of Flat White

abril 12, 2010

Vamos falar sobre o café na Zerandia. O pop aqui eh o achatado branco ou o Flat White, especialidade – e invenção (óólha só) – neozelandesa quando se fala em latte art. Este consiste em um ou dois shots de espresso com leite vaporizado – eles dizem ‘not too frothy, not too milky‘, algo como um leite texturizado sem ser espumoso – servido em tulip cup.

E espresso aqui significa short black, o ‘curto’ dai. Ja o long black, que numa translacao obvia seria o espresso normal, eh um verdadeiro lixo. Eh uma versao menor do americano. Isso significa que voce nunca vai tomar um espresso como os do Brasil – ou de lugares que esta modesta pessoa que vos escreve ainda nao esteve – na Nova Zelandia. E aqui, eles tomam short black, long black e americano, mas quem comanda eh o flat white.

 Os cafes – como lugar, sem acento mesmo – fazem parte da cultura de Wellington. Eh lindo. Nos brunchs de domingo e esse povo sofisticado indo tomar café com eggs benedict, pancakes, french toast…holy fuck! Ou sentando para ler um livro ou pra bater um papo com esse sotaque britanico caipira. E tem os cafes que oferecem area para fumantes com varandas que chegam perto do que ha de ser o paraiso. So neat.

No entanto, eles curtem com um leitinho. Coisa que era irritante de se ver, café com leite me irrita. Remetia a minha irma tomando cappuccino no Armazem. E cappuccino eh para aqueles que nao querem sentir gosto de cafe. Do tipo “ai muito forte, ai muito amargo” e esses podem ir a merda – com excecao da minha irma, claro.   

Mas o achatado branco eh digno. E so dah muito certo porque o leite produzido aqui eh de fato leite e nao um soro esquisito como no Brasil. E porque flat white nao eh latte, que tem menos café, mais leite e mais espuma. Ou seja, foda-se latte.  

E sabe aquela coisa de sempre querer estar em outro lugar que nao este. Quando eu finalmente matar a saudade do espresso do Armazem, naquela bancada fumando um maco de Carlton por r$4,00, vai bater uma vontade de tomar um flat white, na Cuba St., com meus cigarros importados da Tailandia, clima ameno de 12, 15 graus Celsius com esses mocinhos tao descolados e tao metrossexuais que so aqui, so em Welly.


A boa medida

abril 8, 2010

As vezes na vida eh preciso simplificar. Reduzir as neuroses num simples “foda-se”. Se voce for chutar o balde e comer um Whopper com double cheese e add-on uns onion rings, tenha a dignidade de tomar Cola-Cola normal ao inves de Diet e, depois, fume um cigarro para a digestao. E se o maço de cigarro custa 10 dolares, fume como se voce tivesse mais de seis digitos dolares na conta bancaria.

“Foda-se” eh um bom mote e uma boa filosofia de vida. Quase sempre dah certo, te juro pra voce. Mas acontece que nem tudo sao flores, tudo que sobe uma hora desce e assim por diante. Eu conheco um moço que trabalha num restaurante libanes que sempre diz ‘foda-se’ quando o assunto eh apetite e, veja bem, ta ai todo gordo.

Ja me falaram que a linha “foda-se” eh a minha cara, que tenho um evil thinking, que sou fria como uma espada samurai. E eu digo que voces nao sabem de nada. Digo que o segredo mora na boa mensura das coisas.

Em ingles, o termo “anal” tambem diz respeito a quem eh meticuloso em excesso. Eu odeio anals – ignorei o duplo sentido. Tambem odeio hippie maconheiro que pensa que a vida eh uma grande tora de beck a ser fumada. Nao sei se dah para entender onde eu quero chegar, acho que quero defender um behavior “foda-se” com bom senso.  E dizer que por trás dessa lente também bate um coração.

Um legitimo “foda-se” te eleva um nivel acima do resto da humanidade. Voce eh aquele que, ao atravessar a rua num dia chuvoso, escorregou bonito, molhou a bunda na faixa de pedestres, levantou com classe e nem olhou pros lados para ver se tinha alguem rindo da sua cara. Aquele que torra o dinheiro – adquirido com muita dor em hospo work – em bares, delis e cafes num belo dia de sol. E o seu extrato no fim do mes vira o diario de uma vida feliz.

Todavia, nao seria capaz de ter a mesma filosofia se no mais tardar eu acabasse igual a minha tia solteirona que mora com a mae. Seria mais adepta a eutanasia. Ou ainda, se quando na fossa eu nao tivesse ao menos amigos para ligar as 3 da madrugada.

Uma ressalva: nao estou falando de um ideal de vida eaquilibrada com 8 horas de sono diarias, tres porcoes de vegetais e frutas, exercicios fisicos ou qualquer afetacao espiritual. Mas gosto de pensar que sou sistematica a meu modo e que minhas crises de ansiedade anseiam por idealismos justificaveis. No mais, o mote cabe em boa medida. E sem sair do tom, acho eu, eh um mote que te leva a caminhos rumo a perfeicao.


The Charmless Woman a.k.a bitch face

março 29, 2010

O nome dela eh Ellie. E ela eh o sexo sem gozo personificado. No entanto, a tipica expressao facial de “estive comendo bosta durante toda minha vida” dah sinais de que nao tem visto nem cor, nem cheiro de uma foda, com ou sem orgasmo.

Com o perdao das analogias, o que acontece eh que Ellie eh simplesmente sem graca. E nao ha o que fazer em casos como esse. Eh insosa e eu tenho todo o prazer em explicar porque. 

Ellie nasceu na Nova Zelandia ha 21 anos – mas 21 anos que lhe deram a aparencia de uma senhora virgem de 35 – e reside em Eva St., apartamento 3B. Todos os dias, acorda as 6 da manha e leva seu ar da graca ao Wellington Hospital. Ellie eh enfermeira e se um dia eu precisar dos servicos de uma, Deus queira que nao seja deste Exu. Porque Ellie eh errada. Impropria neste mundo e em sua profissao.

Em seu quarto, um poster de Bob Dylan pareado com outro daquela banda chamada Death Cab for Cutie.  Gosto musical este que adquiriu por osmose de uma galera folk daqui e uma galera indie-vomito dali. E ainda, fotos de Ellie na noite trajando seus vestidos de cetim. Despicable.

Com sua voz de ganso, soh profere palavras e ideias irrelevantes. Quando nao uma reclamacao a respeito da limpeza do flat ou um comentario deselegante do tipo “nossa, esse seu amigo gay assustou meu amigo hein”. Quando bebada, sobe na mesa e – sem charme ou elegancia – danca ao som de Chemical Brothers. Depois das refeicoes, arrota como um pedreiro.

Seus amigos parecem ter criado uma especie de tolerencia e paciencia a personalidade do Exu. Ellie beira ao irritante, mas nem irritar devidamente Ellie consegue. Nao causa impacto, entra por aqui e sai por ali.

Eu sei que poderia ter morrido sem saber quem eh Ellie, nao sei se devia ter gasto meu tempo escrevendo sobre Ellie, mas sei que Ellie vai ter uma dark surprise antes de eu ir embora deste flat no qual vivemos como algo do tipo, urina no travesseiro, laxante no cha, fezes na macaneta do carro, despertador as 4.30 da manha…

Phin =).


Sealed With a Kissú

março 15, 2010

Keigo Oyamada e Satomi Matsuzaki dariam as maos e formariam o casal que estava faltando no quadro nipo noise-pop e – como diz o Pitchfork – avant-weirdos que eu queria ilustrar na minha cabeca. Cornelius e Deerhoof, respectivamente, tem os dois nomes supracitados como vocalistas e, de fato, as duas bandas ja se encontraram para uma U.S tour, ha um ano atras. Mas na semana passada, eu vi somente o Deerhoof e a japice autentica que eh de meu agrado e que canta assim:

O Deerhoof, no som e na trajetoria da carreira, faz uma ponte San Fran-Tokyo e fica na panelinha de parcerias com Flaming Lips, Dirty Projectors e Radiohead/Shugo Tokumaru e.. Cornelius. Esse eh outra historia. Eu vim a descobrir que ele eh grande no Japao, eh meio que o orgulho da Matador Records com os audiovisuais do album “Sensuous”, que me causou um certo apreco, mas not quite. Ele tambem remixou “Aquarela do Brasil” no mesmo album, mas acho que isso dispensa comentarios.

E o show do Deerhoof foi kimoti. Easy-breazy. Se voce nao tem paciencia com experimentalismos, nem tenta. So que a voz de retardada com um cuddly and chaotic sugary melodies mexeu com o meu coracao. Pelo menos naquela noite.

Nao sei se da pra entender, mas o casal me eh e nao eh familiar. Porque eu sou e nao sou japonesa. E se eu nao pertenco a este lugar, se no Brasil eu sou mais japonesa, no Japao, mais brasileira, eu presumo que eu sou bem da esquisita. E resolvi comecar a escutar um Shibuya-Kei tunes na Nova Zerandia. Kissú.

Cornelious – Music

Deerhoof- Sealed With a Kiss


Fique com Deus, O Pai.

março 8, 2010

Nao se avexe com o titulo, isto nao se trata de religiao, nada sagrado ou celestial. Mas aviso que estou meio Pikachu(*). Se no outro dia eu estava azeda, hoje, estou bittersweet. E, honestamente, nao sei qual desce mais quadrado. Nao queria um blog que soasse mesquinho de tanto se falar da propria vida, mas (foda-se) eh o seguinte:

Se a boa qualidade de algo se explica pela sua procedencia, ta explicado porque O Pai de um bom amigo de moi eh divino, maravilhoso. Nos e-mails de pai-pra-filho, ele assina: Fique com Deus, O Pai. “Fique com Deus” eh so um afeto sem apego religioso e “O Pai” porque era esse o vocativo que a prole usava na infancia, do tipo: “Ooow pai, me dah cincao”.

Ok. E no decorrer de um ano, que pra mim comecou mais ou menos em marco/abril de 2009 e termina mais ou menos agora, o balanco fecha em superavit. Isso eh uma novidade bombastica que brotou no meio do meu pessimismo habitual. O amigo mesmo diz: “Pra voce tudo eh uma merda, mesmo quando nao eh”.

Se a vidona eh soh uma sequencia de crossing paths, por mais efemero – e cliche – que isso possa ser, a coisa pode adquirir consistencia se voce for esperto. Eu digo que o ano foi bom pela boa companhia. Saber ser divertido e encher o cu de pinga eh facil. Ser pragmatico com estilo, nao eh. Os dois ao mesmo tempo, menos ainda. Isso, eu chamo de pedigree e eu sei de onde provem. E o prazer foi todo meu.

Mas enfim, acho que so quero prestar homenagens afinal. Pq sabe, no mundo tem gente burra – eu amo gente burra, eh entretenimento neh -, antiquada, impropria, megalomaniaca e tal. E tem uns que sao golden. Sem mais delongas, eu so digo que  gosto de entrar no meu quarto e dar de cara com os 3 post-it mais despretensiosos e contidos de significancia da historia.

(*) credito para Food Hunter-er-er.

E perdao se isso nao lhe fez o menor sentido, mas nao era a intencao mesmo. E tambem se eu pareco cada vez mais retardada. Eu culpo a vida pos-moderna.


Aconteceu na Nova Zelândia… (*)

março 2, 2010
Em um país chamado Nova Zelândia, um comercial de operadora de celular usa o slogan “Aqui, todo mundo conhece alguém que conhece alguém”. A propaganda se refere a (com crase) teoria do dramaturgo John Guare, segundo a qual no mundo cada individuo se interliga a outro numa distância de no máximo seis gerações. Na Nova Zelândia, no entanto, é um breve espaço de duas.

Tudo isso para justificar a aparição de Lawrence Arabia no presente artigo, que já foi uma vez citado por aqui. Todavia, Lawrence justifica-se por si só.

Em sua turnê, “A Decade of New Zealand”, que passou pelas quatro principais cidades do país, James quer celebrar a década que trouxe o Bug do Milênio. E, mais especificamente, os avanços de uma nação que “nos últimos dez anos, inaugurou a internet banda larga, a luta contra a anfetamina e o sucesso sem precedentes de Scott Dixon no campeonato norte-americano de Indycar. Todos, marcos que mostram uma nação em ascendência, madura, um arquipélago confiante que supera suas expectativas” – assim diz James em divulgação da turnê.

Uma mistura de deboche e patriotismo despretensioso é o que definiria o neozelandês James Milne. Quanto ao último álbum de Lawrence Arabia, “Chant Darling”, o leque de assuntos inclui desde o alcoolismo a problemas com timidez e pseudo-liberais sexualmente frustrados. Visões de morte induzida por drogas, desejos sujos por uma professora e o programa espacial da Nova Zelândia.

“Chant Darling” foi gravado parte em Auckland, parte em Londres, onde James fixou residência nos últimos dois anos. Na seqüência, em entrevista, ele fala mais sobre o processo de criação do álbum e mais uma pletora de assuntos.

Fale sobre um pouco mais sobre seu último álbum, sobre os artistas que colaboraram na produção e que tipo de coisas influencia suas músicas.

James – Foi um processo longo de completos dois anos em Londres. Eu senti que a mudança para Londres realmente afetou meu trabalho, porque eu perdi os contatos e colaboradores que tinha na Nova Zelândia. Mas tive ajuda de amigos, como o Liam Finn, Matt Eccles (da banda belga Das Pop) e Robert Hefter que me ajudaram emprestando equipamentos, estúdio e teto! Quando voltei pra Nova Zelândia, em dezembro de 2008, fiz a remixagem e masterização do álbum com ajuda do Olly Harmer. As musicas foram compostas antes e durante o período de gravação, entre 2006 e 2008, e elas são sobre as varias experiências urbanas em Auckland e Londres, geralmente tratando sobre se sentir frustrado e cansado, o que eu suponho ser uma mera representação do meu estado de espírito durante aquela época.

No Brasil, se alguém der um Google em ‘Lawrence Arabia’, os primeiros resultados seriam somente referentes ao filme (Lawrence da Arábia). Era essa a intenção?

James – Acho que é inevitável que o nome seja associado ao filme, mas quando escolhemos esse nome, só pensei que seria um nome divertido. Aliás, eu tinha pensado em mudar meu nome para Lawrence Arabia, começar a usar túnicas ou camisetas com os dizeres “Honorary Bedoiun”. Mas depois eu percebi que, na verdade, é um nome ridículo e meio impossível de se achar em sites de busca.

Uma outra banda neozelandesa certa vez me disse que a cena musical do país tem uma vibe “do it yourself” e que se precisa “think outside the box” para se destacar no exterior. Você concorda?

James – Sim, especialmente pela questão do DIY. A maioria das bandas daqui reluta em abrir mão da autonomia porque estão acostumadas em fazer tudo por conta própria, uma vez que a indústria fonográfica é modesta e não tem muito dinheiro para financiar bandas. Conseqüentemente, isso significa que as bandas não fazem as coisas da forma tradicional, tendo que ceder a determinações das gravadoras. Isso cria um grupo idiossincrático de artistas e, acredito eu, que isso ao menos nos dá a vantagem de soarmos criativos e originais quando se tenta divulgar nossa música no exterior.

Ir gravar ou tocar no Reino Unido parece ser algo bem recorrente para bandas neozelandesas. Como você diria que o publico de lá recebe as bandas neozelandesas? Quais as diferenças entre o público europeu e neozelandês?

James – Falando em um geral, a indústria do Reino Únido vem prestando mais atenção nas bandas da NZ, mas eu acho que o público de lá ainda tem uma atitude meio blasé conosco. Principalmente em Londres, que tem uma saturação de música boa e ruim surgindo a toda momento, é difícil chamar atenção do público. Na NZ, a diferença é enorme. O público é maior, grande parte sabe a letra das suas musicas, no Reino Único, ninguém conhece suas músicas ou sabe quem é você. Mas com o lançamento desse álbum, eu espero que isso mude!

O que você conhece do Brasil e de música brasileira?

James – Não conheço muito sobre o Brasil. Acho que o que os neozelandeses mais associam ao Brasil é a Floresta Amazônica e o nosso mais famoso velejador Sir Peter Blake sendo assassinado por piratas lá! Eu adoraria ver as obras do Oscar Niemeyer em Brasília e, ano passado, eu vi uma exposição fantástica do Cildo Meireles. Música brasileira? Eu conheço mais Tropicália, por causa dos Mutantes e, através deles, eu descobri Caetano Veloso, Gal Costa, Tom Zé etc. Todos bem incríveis.

Tendo em mente que essa entrevista é para uma publicação brasileira. Se você fosse explicar a Nova Zelândia através de uma música. Qual música seria?

James – Acho que “Andy” do Front Lawn. Ela engloba a beleza de um dia de verão com ressaca em Takapuna (http://outdoors.webshots.com/photo/1371649026011007290KgqeaM), com a excitação/tensão em ser de esquerda em uma cidade capitalista e com a profunda melancolia de perder um ente querido. Essa música resume a noção do que é ser neozelandês e ela me faz chorar toda vez que a escuto. O que é algo muito bom.


(*) em referência ao bom e extinto programa infantil TV Colosso


nz, i love you but ur bringing me down

fevereiro 27, 2010

Eu sempre fui amarga, mas amargo é bom. Café e cigarro sao amargos e eles colorem minha vida. Mas ultimamente eu azedei, tipo leite podre. E no apice do meu mau humor, eu vou escrever este texto. (e nao me enche o saco sobre falta de acentos pq eu to escrevendo num laptop gringo)

Wellington, a capital neozelandesa onde eu passei meus ultimos 10 meses, eh sobre ela que eu vou discorrer sobre neste texto-mau humor.

Isso aqui eh do tamanho de Londrina. E tem mais asiaticos que a nossa Pequena Londres, so que uma escoria diferente, a escoria sino-geek com o pior senso fashion do planeta. (postarei fotos futuramente)

Por outro lado, o universo da panelinha jovem universitaria eh o paraiso dos aspirantes a hipster. Na regiao central da cidade, que nao inclui mais do que uns 15,17 quarteroes, existe uma rua chamada Cuba St. E dai voce ja pensa “Vish”. Mas acontece que a Cuba eh foda pra caralho. De dia, cheira a kebab e flat white e, de noite, a promessa de ficar bebado pagando 7 dolores numa gafarra de cerveja. Os lugares decentes pra ouvir uma banda e pra conhecer os hipster que voce nao sabe se eh gay ou nao estao na Cuba. Neko Case, Yo La Tengo, Jarvis Cocker e Bob Dylan tocaram na Cuba.

Ninguem aqui eh neozelandes, essa raca nao existe. Se eh sempre descendente (nissei, sanssei no maximo) de alguma coisa. A pior, eu diria que eh a irlandesa.

O primeiro ministro eh uma versao sem graca de Berlusconi. Eh mais humilde, eh seguido por uma equipe modesta de 3 segurancas de porte medio, atende a palestras maoris no suburbio e recusa com educacao o Sauvignon Blanc de quinta que eu ofereci.

A vida aqui eh facil. Se voce tem um emprego part-time voce paga aluguel e ainda eh feliz no fim de semana. Se voce eh considerado “necessitado” pelo governo, recebe mesada. E eu conheco uns 3 filho da puta que vivem de mesada declarando estarem em estado de depressao. Eles nao fazem ideia do que eh um congestionamento de 2 horas ao lado do Tiete. A pior dor de cabeca que a policia tem eh de bebado na rua fazendo barraco. O pior escandalo de assassinato aconteceu ha dez anos atras e ainda se fala nisso.

E gringo que ja eh topeira sobre assuntos que transpassam seu territorio, aqui, a coisa eh ainda mais feia. Talvez pelo isolamento geografico, talvez por serem descendentes de britanicos. Sim, burros e mimados. Eu fico imaginando largar um indie magrelo com jeito de viado que fala coreano e que gosta de musica japonesa na favela do Rio de Janeiro. Levava uma voadora na cabeca antes de terminar a frase: “I don’t know what I want”.

E eu encerro por aqui.

E ao anonimo que posta comentarios com virus nos posts deste blog lindo, um recado: vai tomar no seu cu largo.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.